Ulpiano Nascimento

Nº 1721 - Outono 2012
Publicado em 90 anos Seara Nova por: Ulpiano Nascimento (autor)

“Esta relativa mobilidade político-partidária tem servido para isolar e/ou impedir que partidos ditos indesejáveis à «situação», mais rigorosos ou radicais nas exigências sociais e valores éticos, não partilhem da governação do País. Fenómeno selectivo que tende a privilegiar os dois maiores partidos. (...)O resultado global que se obtém deste conjunto de forças, de vontades e de poderes na luta política, é assegurar um certo equilíbrio no status quo neoliberal. (…) Objectivo que, depois de muita turbulência, foi conseguido e para o qual se fez cultivar uma classe política que dispõe de um estatuto privilegiado dentro da política de poder neoliberal, em que a promiscuidade e trânsito entre cargos públicos e cargos de administração privada é notória, com benesses e práticas de clientelismo, que se agravam quando uma maioria absoluta toma conta do poder. (…) Com outros objectivos, já anteriores, mas também servindo a causa do neoliberalismo, estão a operar desde o fim da II Grande Guerra, e reforçados mais tarde com a «Guerra Fria», na cruzada contra o comunismo, o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), produto decisório dos vencedores daquela guerra, na célebre Conferência de Bretton Woods, em 1944, onde pontificaram os Estados Unidos. São organizações que têm actuado com particular interesse sobre os países solicitantes (…), através de ajudas financeiras (…) por intermédio das suas elites, com programas de ajustamento estruturais que, quase sempre, significam claras ingerências nos negócios internos desses países. Destas intervenções resultam dependências, sobretudo de natureza económica e financeira, de que dificilmente aqueles países se podem libertar. (…) Tenha-se presente que é o próprio liberalismo/capitalismo, seja ele nacional ou internacional, que, neste processo civilizacional, é a razão de ser do socialismo. (…) A escala global que o neoliberalismo alcançou e instalou no planeta, por vontade dos grandes centros de decisão capitalista e a força viva de que as elites e seus agentes estão animados, aconselha que as forças socialistas, no seu conjunto e com os pés na terra, readquiriram a audiência e a credibilidade que antes usufruíram, e os seus aparelhos partidários recuperem a confiança e a eficácia de outrora, para que possam organizar-se interna e também internacionalmente, para assim poderem enfrentar ao mesmo nível as forças adversas”.Seara nova n.º 51 de Dezembro de 1994.
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